Não consegui resistir à tentação e tive de vir escrever o que sonhei noite passada, tema do post abaixo. Então lá vou eu:
"Eu estava numa procura incessante por ela. Tudo o que eu queria era poder achá-la, a qualquer custo. Corri pelas ruas vazias, olhanda a cada loja ou casa ou beco que passava. Nada parecia me levar a algum lugar. Nada naquela estranha e cinzenta rua me indicava alguma pista de onde aquela tão importante mulher poderia estar. Prédio altos me desafiavam, como se dissessem para eu subí-los e procurar por ela lá. Não subi. Continuei a andar, cansado de correr, e então encontro uma loja aberta. Muito bem iluminada. As paredes e as prateleiras brancas contrastavam com a depressiva coloração do lado de fora. Entrei sem pestanejar. Lá dentro, percebi um movimento em direção à porta que dava acesso aos fundos. Eu conhecia aquela pessoa. Aquele homem que correu era-me estranhamente familiar. Não totalmente devido aos negros óculos que pousavam sobre sua face. Gritei. Não consegui conter-me ao ver um rosto conhecido que poderia me ajudar a achá-la. Chamei mais e mais. Ele voltou. Não conseguia ver seus olhos e isso me encomodava demais. O que apenas via era seus cabelos em caracol e sua pele branca. Perguntei sobre a menina, nada me respondeu. Perguntei se lembrava quem eu era, e eu vi aqueles cachos mexerem-se em sentido de afirmação. Então, como se houvesse esquecido da menina desaparecida e da procura que me deixava louco, perguntei o porquê me ignorava. Continuei sendo ignorado. Nada entendia e via meu tempo sendo jogado pelo ralo naquela loja grandiosamente iluminada. Virei-me para sair, mas senti a pesada mão no meu ombro. Aquele que estava fresco ainda na minha memória de meses atrás já mostrava seus olhos. Lindos olhos. E estendia para mim um papel, com uma carta que, a primeira vista não fazia sentido algum. A única coisa que fazia realmente alguim sentido era o meu nome escrito ao final. Li mais uma vez o conteúdo e olhei incrédulo para ele. O menino dos olhos claros pegou-me o papel da mão e com uma caneta que estava em seu bolso, rabisou algo e entregou-me de volta. Sem entender, li novamente e não percebi diferença. Com exceção da palavra "amor" escrita ao lado do meu nome. Ví-me sem teto, sem chão, sem paredes. Sem nada. A rua continuava cinzenta mas o interior daquela loja parecia estar mais iluminado do que antes. Olhei quase às lágrimas para ele e percebi a mesma reação. Sem pensar, beijei-o e realizei aquilo que não havia feito antes. Logo, me vi caminhando com as minhas mãos entrelaçadas à dele pela rua cinzenta, entrando nos becos. Crianças jogavam bola na rua. Nada era perceptível, apenas o calor daquela mão e daquele coração que batia por uma só razão. A palavra escrita ao lado do meu nome."
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário